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terça-feira, 20 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 16
(Da história do estudo material das obras de arte)

A. P. Laurie, The Painters Methods and Materials, London, Seeley, Service & Co. Limited, 1926. Disponível aqui.

No início do século XX, A. P. Laurie publicou um conjunto de livros sobre os materiais e as técnicas utilizadas na pintura antiga que provavelmente foram das primeiras publicações do género. A partir da perspectiva da química e da física (a área da sua formação), isto é a partir das propriedades químicas e físicas dos materiais e fazendo uso dos métodos laboratoriais de exame e análise, Laurie descreve os materiais usados pelos pintores do passado (da Antiguidade até ao século XVII) e interpreta as suas técnicas de pintura. A respeito da análise é pioneiro o seu uso da macrofotografia para a caracterização do trabalho dos pincéis (The Pigments and Mediums of the Old Masters, with a Special Chapter on the Microphotographic Study of Brushwork, 1914). Foi também um dos primeiros a usar a radiografia para o estudo das obras de arte, tendo instalado equipamento na sua residência.

Nalgumas obras dedica-se sobretudo à interpretação das informações contidas nos tratados antigos.

Durante várias décadas, essas foram obras únicas (pela perspectiva histórica ausente de outras obras sobre os mesmos materiais) e de referência. Algumas, como a que serve de pretexto a esta evocação (que já antes tinha referido aqui), ainda hoje se lêem com muito proveito.

Actualmente, além do livro mencionado no início, há outros livros de Laurie livremente disponíveis online:

  • A. P. Laurie, The Materials of the Painter's Craft, London, 1910, aqui.
  • A. P. Laurie, Greek and Roman Methods of Painting, Cambridge, Cambridge University Press, 1910, aqui.
  • A. P. Laurie, Facts About Processes, Pigments and Vehicles. A Manual for Art Students, London, 1895, aqui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 15
(Da história do estudo material das obras de arte)

Alan Burroughs, Art Criticism from a Laboratory, Boston, Little, Brown and Company, 1938.

Depois de algumas radiografias de pinturas obtidas no Minneapolis Institute of Arts, Alan Burroughs desenvolveu um ambicioso projecto no Fogg Art Museum que tinha como objectivo, entre outros, a constituição de um arquivo de radiografias das mais significativas pinturas antigas que pudesse ser útil para a história da arte. No âmbito desse projecto, Burroughs deslocou-se a alguns dos mais importantes museus europeus em 1926 e em 1927-1928, tendo obtido algumas centenas de radiografias de pinturas. Um dos resultados desse projecto foi o livro de Burroughs, publicado em 1938, onde, a partir das radiografias, são discutidos vários problemas colocados pela história da arte.

Se há livro em que ciência esteja verdadeiramente ao serviço da história da arte, é este. É que Burroughs discute directamente os problemas discutidos pelos historiadores de então, apenas com a diferença de usar outro tipo de argumentos, retirados das radiografias. Tirando algumas breves páginas iniciais, a pintura antiga, especialmente flamenga, é mesmo o seu assunto, como se pode ver a partir do índice:

  • Preface, vii
    • Co-operation in Research Work
    • The Fogg Museum's Contribution
    • Its Application
  • The Esthetic Background, 3
    • Justification of a Critical Attitude
  • The Tools of Criticism, 15
    • Historical, Esthetic, and Technical
  • Testing the Tools, 29
    •  A Professor of Logic
    • "Canalized Guessing"
  • Applying the Tools of Science, 42
    • Ultra-violet, Infra-red, and Microscope Photography
    • Microchemistry
    • X rays
  • Forgeries, 60
    • Physical Records of Material Differences
  • Copies and Imitations, 72
    • Physical Records of Aesthetic Differences
  • Artists at Work, 89
    • Agnolo Bronzino
    • Paolo Veronese
    • An Unknown Painter
  • The Development of an Artist, 102
    • Nicolas Maes
  • Titian and Giorgione, 110
  • A Flemish Art Factory ,123
    • Rubens, van Thulden, Quellyn, de Crayer
    • The Competitors — de Vos, van Dyck, Jordaens
  • Two Problems in the Rembrandtesque, 153
    • Jan Lievens
    • Jacob Backer
  • The Problem of the Van Eycks, 172
    • Jan van Eyck
    • The Ghent Altar
    • Hubert van Eyck
  • The Reality of Robert Campin, 204
    • The Master of Flemalle and Jacques Daret
    • Roger van der Weyden
    • Their Styles Compared
  • Appendixes, 245
    • The Man with a Pink
    • Petrus Christus
    • Campin-van der Weyden Influences
    • St. Luke Painting the Virgin

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 14
(Da história do estudo material das obras de arte)

Thomas Pownall, "An account of some Irish antiquities", Archaeologia, Or, Miscellaneous Tracts Relating to Antiquity, 3, 1775, pp. 355-370.

Foi um dos primeiros estudos que envolveu a identificação dos materiais usados em obras com interesse histórico, tendo sido apresentado na sessão da Sociedade dos Antiquários de 10 de Fevereiro de 1774 por Thomas Pownall. Incidiu sobre duas espadas antigas encontradas na Irlanda e foi realizado por Alchorn, da Casa da Moeda inglesa.

A caracterização foi feita assim:

It appears to be chiefly copper, interspersed with particles of iron, and perhaps some zinc, but without containing either gold or silver: it seems probable that the metal was cast in its present state, and afterwards reduced to its proper figure by filing. The iron might either have been obtained with the copper from the ore, or added afterwards in the fusion, to give the necessary rigidity of a weapon. But I confess myself unable to determine anything with certainty.

O texto da comunicação está disponível aqui.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 13
(Da história do estudo material das obras de arte)

Em 1966, na revista Studies in Conservation (volume 11, n.º 2), foi apresentado e começou a ser concretizado um projecto intitulado Identification of the Materials of Paintings, coordenado por R. J. Gettens, que tinha como objectivo a publicação de detalhadas monografias sobre os vários materiais usados em pintura.

Segundo as palavras inicias da apresentação de Richard D. Buck:

In 1960 at the Rome Conference Mr R. J. Gettens with the collaboration of Miss Joyce Plesters proposed 'a modern handbook on the materials of painting which could serve chemists, conservators, curators and collectors in the field of art'. The magnitude of the undertaking would require authorship shared by specialists from all parts of the world.

In this issue of Studies in Conservation the first step of the plan is being realized-the initiation of a series of articles on one class of materials, to be collected and republished as a volume of the proposed handbook.

De certa forma, tratava-se de desenvolver, numa outra base, o já aqui citado livro Painting Materials. A short encyclopaedia, de Rutherford J. Gettens e George L. Stout, publicado pela primeira vez nesse formato em 1942.

Os pigmentos foram a primeira e, afinal, única classe de materiais objecto de estudo.

Nesse mesmo número da revista foram tratados a azurite (por Rutherford J. Gettens e Elisabeth West Fitzhugh) e o azul ultramarino (por Joyce Plesters). De uma forma irregular, até 1974 foram publicados, no total, nove artigos/monografias.

Tal como estava inicialmente previsto, esses artigos foram posteriormente reunidos em livro. Além disso, várias estudos sobre vários outros pigmentos foram publicadas directamente em livro, sem passarem pelas páginas de revistas. Até à data saíram quatro volumes, com o título Artists' Pigments, dos quais o segundo contém os nove artigos iniciais publicados após significativa revisão:

  • Robert L. Feller (ed.), Artists' Pigments. A handbook of their history and characteristics. Volume 1, Washington, National Gallery of Art, 1986.
  • Ashok Roy (ed.), Artists' Pigments. A handbook of their history and characteristics. Volume 2, Washington, National Gallery of Art, 1993.
  • Elisabeth West FitzHugh (ed.), Artists' Pigments. A handbook of their history and characteristics. Volume 3, Washington, National Gallery of Art, 1997.
  • Barbara H. Berrie (ed.), Artists' Pigments. A handbook of their history and characteristics. Volume 4, Washington - London, National Gallery of Art - Archetype Publications, 2007.

        

Cada um dos capítulos destes livros faz sistematicamente a síntese dos conhecimentos sobre os diferentes aspectos relevantes para o conhecimento dos pigmentos utilizados em pintura ao longo dos séculos. Tipicamente, para cada pigmento são abordadas a terminologia, a história, as propriedades físicas e químicas, a composição química e métodos de preparação, as formas de identificação e caracterização e, finalmente, são indicadas algumas obras em que foram identificados.

Estes volumes constituem a obra de referência a respeito dos pigmentos utilizados em pintura, não obstante alguma desactualização dos volumes mais antigos a respeito de alguns pormenores da história de alguns dos pigmentos e dos métodos de identificação e análise que podem ou têm sido usados.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 12
(Da história do estudo material das obras de arte)

P. B. Coremans, van Meegeren's Faked Vermeers and de Hooghs. A scientific examination, Amsterdam, J. M. Meulenhoff, 1949.

Um pormenorizado e cuidado estudo laboratorial que demonstrou que, entre outras, a obra-prima de Johannes Vermeer, como um historiador de relevo lhe chamou, não datava do século XVI, como se esperaria, mas sim do século XX.

Com este estudo ficaram claras algumas das importantes implicações dos estudos laboratoriais das obras de arte.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Momentos/Memórias – 11
(Da história do estudo material das obras de arte)

Humphry Davy, "Some experiments and observations on the colours used in painting by the Ancients", Philosophical Transactions of the Royal Society of London, 105, 1815, pp. 97-104.

Um dos primeiros estudos detalhados feito com o objectivo de identificar os pigmentos usados em pintura na Antiguidade. Pouco tempo antes, Chaptal tinha feito um estudo semelhante (referido aqui). Mas Davy foi muito mais longe: combinou a análise química com a análise das fontes documentais antigas. Uma das consequências dessa abordagem foi a completa identificação do principal pigmento azul usado na época romana (actualmente conhecido como azul egípcio), que entretanto tinha caído em desuso:

There is every reason to believe, that this is the colour described by Theophrastus as discovered by an Egyptian king; and of which the manufactory is said to have been anciently established at Alexandria.

Vitruvius speaks of it, under the name of caeruleum, as the colour used commonly in painting chambers, and states, that it was made in his time at Puzzuoli, where the method of fabricating it was brought from Egypt by Vestorius; he gives the method of preparing it by heating strongly together sand, flos nitri, and filings of copper.

Davy teve uma grande importância na história da química, tendo, por exemplo, descoberto vários elementos químicos. (Sobre Davy pode ver-se a nota relativamente detalhada que está aqui.)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 10
(Da história do estudo material das obras de arte)

 

Stuart J. Fleming, Authenticity in Art. The scientific detection of forgery, London - Bristol, The Institute of Physics, 1975.

Durante muitos anos um dos poucos livros de divulgação avançada sobre a aplicação dos métodos laboratoriais ao estudo das obras de arte. Ainda hoje se recomenda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 9
(Da história do estudo material das obras de arte)

Rutherford J. Gettens, George L. Stout, Painting Materials. A short encyclopaedia, New York, D. Van Nostrand Company, 1942.

Durante muitos anos, um livro único e excepcional que, a respeito dos vários materiais utilizados em pintura apresenta a informação disponível a respeito da sua composição, história, propriedades, uso, etc. Sobre este tema, durante muitos anos foi a bíblia.

Após várias republicações na editora inicial, o livro teve uma segunda edição em 1966, apenas com alterações muito pontuais, feita pela editora Dover Publications. A partir de então conheceu numerosas reimpressões, continuando actualmente à venda.

O livro teve início numa série de notas publicadas entre 1936 e 1941 nos Technical Studies in the Field of Fine Arts.

A primeira edição está livremente disponível aqui em formato djvu.

A este livro já em tempos me tinha referido aqui.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 8
(Da história do estudo material das obras de arte)

A. Martin de Wild, The Scientific Examination of Pictures. An investigation of the pigments used by the Dutch and Flemish Masters from the broothers van Eyck to the middle of the 19th century, London, G. Bell & Sons, Ltd., 1929.

A primeira tese de doutoramento dedicada ao estudo laboratorial de pinturas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 7
(Da história do estudo material das obras de arte)

1958: Primeiro número de uma revista, do Research Laboratory for Archaeology and the History of Art, da Universidade de Oxford, cujo nome deu origem a uma disciplina: arqueometria.

Como agora é anunciado no site da revista, “Archaeometry is an international research journal covering the application of the physical and biological sciences to archaeology and the history of art. The topics covered include dating methods, artifact studies, mathematical methods, remote sensing techniques, conservation science, environmental reconstruction, biological anthropology and archaeological theory.”

A revista de capa amarela, que manteve durante muitos anos, inicialmente era gratuita e pretendia-se que se publicasse duas vezes por ano, mas logo no segundo número foi anunciado que afinal não havia condições para a publicar mais do que uma vez por ano e que as instituições que a tinham solicitado teriam de a pagar, ainda que o custo fosse reduzido. Já há alguns anos que a revista mudou a capa para verde e é publicada por uma importante editora internacional. Desde 2008 tem seis números por ano.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 6
(Da história do estudo material das obras de arte)

Madeleine Hours, Les Secrets des Chefs-d'Oeuvre, Paris, Robert Laffont, 1964.

Provavelmente o primeiro livro de divulgação dos estudos laboratoriais de obras e arte com grande divulgação. O livro resultou de uma série de emissões televisivas e esteve na origem de uma exposição.

A conclusão começa por afirmar: “L’oeuvre d’art est matière avant d’être message.”

O texto do livro, mas não as imagens, foi mais tarde publicado num pequeno livro de bolso:

Madeleine Hours, Les Secrets des Chefs-d'Oeuvre, 2.ª ed., Paris, Denoël/Gonthier, 1983.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 5
(Da história do estudo material das obras de arte)

Jean-Antoine Chaptal, "Notice sur quelques couleurs trouvées a Pompeïa", Annales de Chimie, 70, 1809, pp. 22-31.

Um dos primeiros estudos em que foi feita a identificação dos pigmentos utilizados em pintura através da análise química. Entre os pigmentos encontrava-se um pigmento azul, que na realidade não chegou a ser identificado por ter sido considerado diferente dos azuis então conhecidos.

Foram analisadas amostras de sete pigmentos que se encontravam à venda em Pompeia quando a cidade foi destruída pelo Vesúvio em 79.

O artigo está livremente disponível aqui.

sábado, 19 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 4
(Da história do estudo material das obras de arte)

David Bomford, Christopher Brown, Ashok Roy, Art in the Making. Rembrandt, London, National Gallery, 1988.

O catálogo/livro da primeira exposição da série Art in the Making realizada na National Gallery, Londres, com as obras expostas ao lado dos documentos laboratoriais obtidos a seu respeito.

Este catálogo/livro foi há poucos anos publicado numa edição profundamente revista:

David Bomford, Jo Kirby, Ashok Roy, Axel Rüger, Raymond White, Art in the Making. Rembrandt. New edition, London, National Gallery, 2006.

As outras exposições/catálogos/livros desta série:

  • David Bomford, Jill Dunkerton, Dillian Gordon, Ashok Roy, Art in the Making. Italian Painting Before 1400, London, National Gallery Company Limited, 1989.
  • David Bomford, Jo Kirby, John Leighton, Ashok Roy, Art in the Making. Impressionism, London, The National Gallery, 1990.
  • David Bomford (ed.), Art in the Making. Underdrawings in Renaissance Paintings, London, National Gallery Company, 2002.
  • David Bomford, Sarah Herring, Jo Kirby, Christopher Riopelle, Ashok Roy, Art in the Making. Degas, London, National Gallery Company, 2004.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 3
(Da história do estudo material das obras de arte)

1952: O primeiro número dos Studies in Conservation, então também designados de Études de Conservation.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Momentos/Memórias – 2
(Da história do estudo material das obras de arte)

J. R. J. van Asperen de Boer, Infrared Reflectography. A Contribution to the Examination of Earlier European Paintings, Amsterdam, Central Research Laboratory for Objects of Art and Science, 1970.

A pequena tese de doutoramento que esteve na origem da reflectografia de infravermelho.

Momentos/Memórias – 1
(Da história do estudo material das obras de arte)

Paul Coremans (ed.), L'Agneau Mystique au Laboratoire. Examen et traitement, Anvers, De Sikkel, 1953.

O estudo fundador que reúne colaborações de historiadores, conservadores e químicos.

 

Momentos/Memórias - 0
(Da história do estudo material das obras de arte)

Inicio aqui a evocação de uma série de acontecimentos marcantes da história dos estudos laboratoriais de obras de arte e do conhecimento dos respectivos materiais – história essa que ainda está por fazer.

Sem ordem predefinida, consequentemente sem qualquer hierarquização, de forma irregular surgirão aqui diversos acontecimentos dos últimos dois ou três séculos recordados, sobretudo (exclusivamente?), através das capas ou das primeiras páginas de livros e artigos.

Obviamente a escolha é pessoal, resultado de um percurso e condicionada por uma biblioteca.

Além da evocação, pretendo com esta série disponibilizar algumas imagens que, pelo menos nalguns casos, não são fáceis de obter e podem ser úteis em várias circunstâncias. Por isso, colocarei aqui essas imagens com resolução superior ao habitual.

Cada imagem será acompanhada apenas pela correspondente referência bibliográfica e, eventualmente, por um breve comentário. Além disso, sempre que souber de locais da internet onde livremente estão disponíveis esses estudos, acrescentarei tal informação.